Ano VII nº 106 -

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Verticalização, o que é isso?

Palavra da moda no jargão eleitoral, a verticalização é uma norma do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), publicada em fevereiro de 2002, que disciplina as coligações partidárias nas eleições nacionais. Segundo o órgão, os partidos políticos têm de respeitar nos estados a aliança realizada em nível federal.

Por exemplo, se o partido "A" faz uma coligação com o partido "B" para a disputa à presidência da República, ambos têm de repetir a dobradinha na eleição para governador. A lei também permite que A e B, mesmo tendo um pacto federal, disputem individualmente, com candidato próprio, o governo nos Estados. Mas a lei não deixa A ou B fazer uma coligação com C para concorrer ao governo estadual.

Em 2002, o senador Bernardo Cabral (PFL/AM) apresentou a Proposta de Emenda à Constituição 548/02 no Congresso. O projeto garantia ao partido político autonomia para adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações eleitorais, sem a obrigatoriedade de vinculação eleitoral entre as candidaturas em nível nacional, estadual, distrital ou municipal; acabando com a verticalização eleitoral das coligações compulsórias. A proposta foi aprovada pelo Senado, em 2002, e pela Câmara dos Deputados, em 8 de março, como Emenda Constitucional nº 52/2006.

A OAB, no entanto, entrou com ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a medida. Na opinião da entidade máxima dos advogados, a extinção da verticalização não poderia ocorrer em 2006.

Em 22 de março, por nove votos a dois, o STF votou pela manutenção da verticalização em 2006. Ou seja, os partidos terão de obedecer às alianças federais nos estados. Os ministros que votaram contra a emenda basearam-se no artigo 16 da Constituição Federal. Diz a lei que alterações na lei eleitoral só podem entrar em vigor um ano após sua vigência.

Os defensores da verticalização afirmam que a medida disciplina os partidos políticos, fazendo com que sejam mais fiéis aos seus princípios ideológicos. Os críticos da verticalização afirmam que a restrição reduz a autonomia dos partidos e ignora o cenário político local.

  

 Ed.106_24/03/2006 



 

 

 


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