Ano VII nº 101 -

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Lixo: solução na reciclagem de materiais

Antonela Tescarollo

Segundo pesquisas, diariamente cerca de 400 milhões de toneladas de lixo são produzidas em todo o mundo. Somente a cidade de São Paulo produz 12 mil toneladas por dia, o que equivale a aproximadamente 0,6 kg por pessoa. É muito resíduo que vai se acumulando e, com a crescente urbanização, a tendência é aumentar.

A maior parte desse lixo é recolhida pelos caminhões de coleta e levada a depósitos de lixo a céu aberto, os lixões, que poluem os solos e as águas subterrâneas e podem trazer doenças, pois facilitam a proliferação de moscas, baratas, ratos e outros vetores. O lixo também pode ser levado para aterros sanitários, que, quando bem construídos, têm paredes impermeáveis e evitam a contaminação de solos e águas. 

No entanto, boa parte do lixo é formada de materiais que não são decompostos e absorvidos pela natureza (não-degradáveis) e que podem ser reaproveitados, diminuindo, assim, o acúmulo de resíduos. Plásticos, vidros, papéis, papelões e metais que iriam para o lixo podem ser processados industrialmente e convertidos em outro produto, semelhante ou não ao inicial.

A reciclagem desses materiais também contribui para uma redução de até 74% da poluição do ar e de até 35% da poluição das águas, para a economia de energia elétrica e para a diminuição da matéria-prima extraída, que em alguns casos não é renovável (a cada 100 tonelada de plástico reciclado, uma tonelada de petróleo é economizada, por exemplo). Além disso, esse processo melhora a limpeza das cidades, prolonga a vida útil dos aterros sanitários, ajuda a divulgar a educação ambiental, gera empregos entre a população não qualificada e renda com a comercialização dos materiais.

Aproveitado e reaproveitado

Apesar das grandes vantagens ambientais e econômicas que a reciclagem traz e desse processo ser cada vez mais essencial para a manutenção do meio ambiente e das reservas de matérias-primas, ainda não se recicla como se poderia. No Brasil, por exemplo, a cada ano são desperdiçados cerca de R$ 4,6 bilhões por não se reaproveitar tudo que é possível. Somos campeões mundiais de reciclagem de alumínio, mas deixamos a desejar nos vidros, plásticos e latas de ferro.

Para que essa situação mude, é preciso promover e inserir o hábito da coleta seletiva (separação do lixo) e o de encaminhar os materiais para a reciclagem tanto no ambiente doméstico como também no de trabalho. Escritórios, por exemplo, mandam para o lixo grande quantidade de papel, material com a maior porcentagem nos resíduos das cidades e que seria facilmente reaproveitado. 

Além do cuidado e do destino dado ao lixo, outro hábito importante para a preservação do ambiente e dos recursos naturais é o consumo consciente. Não desperdiçar produtos naturais, como a água, e industrializados é muito mais do que uma economia para o próprio bolso. Ações simples, como fechar bem a torneira e usar os dois lados do papel para escrever, também contribuem para diminuir a quantidade de matéria-prima extraída, o acúmulo de lixo e a poluição.

A coleta seletiva, a reciclagem e o consumo consciente – ou o 3 R, como se refere às regras básicas Reduzir, Reaproveitar e Reciclar - só dependem de boa vontade e um pouco de organização. Estes são hábitos simples e uma vez iniciados tornam-se corriqueiros e automáticos.

Mãos à obra

Depois da separação dos materiais recicláveis – metais, plásticos, papéis, papelões e vidros – eles devem ser encaminhados seguramente a uma empresa de reciclagem. Nem todas as prefeituras fazem a coleta do lixo reciclável ou todo bairro possui latões específicos disponíveis. Nesses casos, é preciso o empurrãozinho de alguém com a iniciativa de entrar em contato com algum catador de rua autônomo, cooperativa de catadores ou organização não-governamental que faça esse serviço. Feito o contato, é só combinar um esquema de recolhimento.

Um programa maior pode ser aplicado em prédios, condomínios, regiões com associações de bairro ou em empresas. Para isso, é preciso propor a idéia à pessoa responsável, para conscientizar e orientar os moradores ou funcionários e organizar a coleta, estocagem e venda ou doação do material para catadores, cooperativas ou outro.

O site do Instituto GEA (www.institutogea.org.br) da associação Compromisso Empresarial para Reciclagem - Cempre (www.cempre.org.br) traz muitas informações e dicas de como organizar programas de coletas seletiva e lista de associações e empresas que recolhem lixo reciclável.

O que fazer com eles?

Nem tudo são papéis, vidros, metais e plásticos. Mas outros materiais também entram na coleta seletiva e possuem um destino mais adequado a eles que o lixo comum.

Pilhas e baterias: não devem ser colocadas no lixo comum, pois causam muitos danos a natureza. Há pontos de recolhimento de pilhas e baterias (de celular principalmente) em lojas que as comercializam ou na rede de assistência técnica. É recomendável que não sejam acumuladas em casa depois de esgotadas.

Lixo hospitalar: Precisa ser coletado e recolhido separadamente do restante, pelo risco de contaminação. O lixo hospitalar é levado para aterros sanitários próprios ou para incineradores, onde são queimados em grandes fornos. A prefeitura deve ser a responsável pelo seu recolhimento.

Pneus: eles podem ser reciclados e transformados em diversos produtos usados na pavimentação de estradas, na construção civil e na geração de energia. É importante colocar os pneus separados do restante do lixo, pois os sucateiros normalmente pagam às empresas de coleta urbana para o recebimento do material, ou contatar empresas e associações que os recolham.

Lâmpadas frias: quando quebradas elas liberam gás mercúrio, nocivo à saúde e à natureza. A reciclagem das lâmpadas frias é possível, mas ainda só é feita mediante pagamento. Esse procedimento é indicado para grandes empresas, mas para uso doméstico, é recomendável cuidado para não quebrá-las, principalmente embalando-as para jogar fora.

Mil e uma utilidades

Os materiais recicláveis descartados podem transformar-se em uma infinidade de produtos para diversos usos. Dentre os materiais, um vem se destacando pelos muitos e diferentes produtos que pode originar: a embalagem plástica tipo PET.

Calças jeans, bandejas de frutas, couro artificial, mantas feitas em tear manual e garrafas podem ser obtidos principalmente das PETs. Essas possibilidades são possíveis pela pesquisa e desenvolvimento de processos de recuperação e transformação do material. Um bem-sucedido estudo sobre reciclagem e aplicação de embalagens plásticas está em andamento na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

As embalagens longa-vida também têm ampliado sua capacidade de reaproveitamento. Uma recém-inaugurada indústria de reciclagem em Piracicaba (SP) realiza um processo inédito de separação total do alumínio e do plástico das paredes das embalagens. Antes, somente o papel era reaproveitado e o restante, depositado em aterros sanitários.

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