|
Gordura trans está
com os
dias contados nas Américas

Um documento da
Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) apresentado ontem (6) no Brasil,
Estados Unidos e Chile defende a eliminação da gordura trans ou
hidrogenada e a restrição de gorduras saturadas das Américas num curto
espaço de tempo. A gordura trans é formada pelo processamento de óleos
vegetais e usada em margarinas, óleos, biscoitos, sorvetes e alimentos
fast-food. O documento foi elaborado por 21 especialistas e tem o objetivo
de reduzir a ocorrência de problemas cardíacos entre a população.
A proposta será
submetida à votação em outubro pelo Conselho Diretivo da Opas, formado por
ministros da saúde. Segundo Carlos Monteiro, professor do Departamento de
Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP e membro do grupo de
especialistas, no momento da votação, os prazos para a substituição da
gordura trans por outros tipos menos prejudiciais deverão ser acertados.
Especialistas estão certos de que a medida será adotada no Brasil depois
da aprovação pela Opas.
Para fundamentar a
proposta de eliminação da gordura, o grupo de trabalho baseia-se em um
estudo da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, que diz que
uma redução de 4,5 gramas diárias dessa gordura na dieta evitaria mais de
10 mil mortes por ano.
Fechando o cerco
A gordura hidrogenada
até pouco tempo era considerada uma substituta mais saudável para a
gordura animal. Mas, nos últimos anos seus malefícios começaram a ser
descobertos e hoje ela representa um grande problema para a saúde. Estudos
indicam uma forte relação entre o consumo excessivo de gordura trans e
enfartes. Existem outras pesquisas que sugerem o aumento do risco de
diabetes e morte súbita.
A rápida divulgação
dos malefícios desse tipo de gordura fez com que providências logo fossem
tomadas. No Canadá, por exemplo, desde 2005 é obrigatória a discriminação
no rótulo de produtos com gordura trans. No Brasil, está em consulta
pública uma proposta que regulamenta a publicidade de alimentos com altos
níveis de componentes não saudáveis, entre eles essa gordura. Aqui e na
Argentina, as indústrias alimentícias já vêm substituindo os óleos
parcialmente hidrogenados por insaturados, especialmente as fabricantes de
margarinas.
O professor Monteiro
afirma que as mudanças trazidas pela aprovação do documento da Opas não
provocaria um impacto financeiro significativo na indústria. Ele acredita
que, se a medida for adotada no País, em dois anos já seria possível
ocorrer a eliminação da gordura trans.
O grupo de
especialistas da Opas, apesar de elogiar essas medidas já tomadas, afirma
que iniciativas isoladas não são suficientes. É preciso uma ação dos
governos da região.
Enquanto a eliminação
total da gordura hidrogenada não acontece, o grupo de trabalho traçou
algumas estratégias para reduzir o consumo. Entre elas, está a rotulação
dos alimentos com a gordura em sua composição – já adotada no Brasil – e o
aumento das informações para os consumidores. Outra idéia deles é a
elaboração de planos de ação para governos e indústrias eliminarem a
gordura hidrogenada progressivamente.
A estimativa é que
esse tipo de gordura represente hoje de 2% a 3% das calorias totais
consumidas hoje nos EUA. Na Argentina, esse número é de 3% e no Chile, de
2%. Segundo, Monteiro, no Brasil, acredita-se que o consumo diário de
gordura trans é de 5 gramas por pessoa.
Ed119_ 6/6/2007
|