Ano VIII nº 118  -

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Rigor na abrasão a ar no consultório

A utilização do aparelho de abrasão a ar com óxido alumínio deve seguir cuidados rigorosos para evitar a inalação de partículas por CDs e pacientes

Antonela Tescarollo

 

O uso do aparelho de abrasão a ar com óxido de alumínio no consultório odontológico, para fazer cortes na superfície dental de forma minimamente invasiva, sem os inconvenientes de barulho e dor, deve ser usado pelo cirurgião-dentista tomando-se cuidados criteriosos. O alerta é feito pelo trabalho Avaliação da Contaminação por Partículas de Óxido de Alumínio Eliminadas pelo Sistema de Abrasão a Ar em Consultório Odontológico, realizado por Fábio Luiz Scannavino, para seu mestrado na Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara (SP).

A pesquisa mostra que as partículas de óxido de alumínio liberadas podem comprometer o sistema respiratório dos pacientes e, em maior medida, do profissional, por ter contato diário com o aparelho. Para chegar a essa conclusão, Scannavino, recolheu as partículas liberadas no ar em placas de Petri colocadas a distâncias de 20, 40 e 60 centímetros a partir da cavidade bucal de um manequim confeccionado para os testes. 

Depois dos experimentos, as placas foram pesadas para se obter a massa do óxido de alumínio depositado. Segundo o pesquisador, a maior concentração de partículas foi depositada nas placas que estavam a 20 centímetros do centro da cavidade bucal do manequim, que é onde o profissional se posiciona para fazer o tratamento. Nesses primeiros 20 centímetros, foi mensurada uma concentração média de 21,5 mil microgramas de óxido de alumínio.

Essa quantidade é inferior aos limites recomendados pelas normas da Occupational Safety and Health Administration (OSHA), órgão que administra a saúde e a segurança ocupacional nos Estados Unidos. Apesar disso, Scannavino diz que a preocupação maior são os efeitos maléficos da acumulação prolongada dessas partículas no trato respiratório, que ainda não são totalmente conhecidos pela literatura científica, mas sabe-se que podem provocar desde disfunções celulares nas vias aéreas superiores até alterações no tecido pulmonar.

Cuidados rigorosos

O trabalho foi orientado pela professora Lourdes Aparecida dos Santos-Pinto, que ressalta: “Se o profissional for criterioso no uso do aparelho de abrasão, os riscos são mínimos”. Ela completa que, em relação ao paciente, é preciso fazer o isolamento absoluto, borracha azul colocada no dente com auxílio de um grampo de metal e que, quando posicionada, cubra o nariz do paciente impedindo a aspiração de partículas.
Para a proteção do profissional, Lourdes indica o uso de máscara de boa qualidade, de preferência semelhante às utilizadas por pintores, e de óculos com vedação lateral - que geralmente acompanham os aparelhos. Os CDs também devem utilizar sugadores de saliva e evacuadores de pó, que são aspiradores que ajudam na captação da poeira formada. “O risco ocorre quando estas indicações não são respeitadas”, completa Lourdes.

 

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