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Rigor na abrasão a ar no consultório
A
utilização do aparelho de abrasão a ar com óxido alumínio deve seguir
cuidados rigorosos para evitar a inalação de partículas por CDs e
pacientes
Antonela Tescarollo

O uso do aparelho de abrasão a ar com óxido de alumínio no consultório
odontológico, para fazer cortes na superfície dental de forma
minimamente invasiva, sem os inconvenientes de barulho e dor, deve ser
usado pelo cirurgião-dentista tomando-se cuidados criteriosos. O
alerta é feito pelo trabalho Avaliação da Contaminação por Partículas
de Óxido de Alumínio Eliminadas pelo Sistema de Abrasão a Ar em
Consultório Odontológico, realizado por
Fábio Luiz Scannavino, para seu mestrado na
Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em
Araraquara (SP).
A pesquisa mostra que as partículas de óxido de alumínio liberadas
podem comprometer o sistema respiratório dos pacientes e, em maior
medida, do profissional, por ter contato diário com o aparelho. Para
chegar a essa conclusão,
Scannavino, recolheu as partículas liberadas no ar em
placas de Petri colocadas a distâncias de 20,
40 e
60 centímetros
a partir da cavidade bucal de um manequim confeccionado para os
testes.
Depois dos experimentos, as placas foram pesadas para se obter a massa
do óxido de alumínio depositado. Segundo o pesquisador, a maior
concentração de partículas foi depositada nas placas que
estavam a
20 centímetros
do centro da cavidade bucal do manequim, que é onde o profissional se
posiciona para fazer o tratamento. Nesses primeiros
20 centímetros,
foi mensurada uma concentração média de 21,5 mil microgramas de óxido
de alumínio.
Essa quantidade é inferior aos limites recomendados pelas normas da
Occupational Safety and Health Administration (OSHA), órgão que
administra a saúde e a segurança ocupacional nos Estados Unidos.
Apesar disso, Scannavino diz que a preocupação maior são os efeitos
maléficos da acumulação prolongada dessas partículas no trato
respiratório, que ainda não são totalmente conhecidos pela literatura
científica, mas sabe-se que podem provocar desde disfunções celulares
nas vias aéreas superiores até alterações no tecido pulmonar.
Cuidados rigorosos
O
trabalho foi orientado pela professora Lourdes Aparecida dos
Santos-Pinto, que ressalta: “Se
o profissional for criterioso no uso do aparelho de abrasão, os riscos
são mínimos”. Ela completa que, em relação ao paciente, é preciso
fazer o isolamento absoluto, borracha azul colocada no dente com
auxílio de um grampo de metal e que, quando posicionada, cubra o nariz
do paciente impedindo a aspiração de partículas.
Para a proteção do profissional, Lourdes indica o uso de máscara de
boa qualidade, de preferência semelhante às utilizadas por pintores, e
de óculos com vedação lateral - que geralmente acompanham os
aparelhos. Os CDs também devem utilizar sugadores de saliva e
evacuadores de pó, que são aspiradores que ajudam na captação da
poeira formada. “O risco ocorre quando estas indicações não são
respeitadas”, completa Lourdes. |