Ano VIII nº 114  -

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Biossegurança:

ENTREVISTA
Arquiteto Astério Guglielmone Santos

Projeto arquitetônico adequado diminui
em até 70% riscos de contaminação

 

Todas as pessoas que passam por atos cirúrgicos ou procedimentos invasivos ao corpo podem estar expostas a contaminações de doenças infecto-contagiosas. Para evitar a proliferação e a contaminação de vírus e bactérias a maior parte dos Estabelecimentos Assistenciais à Saúde (EAS), sejam de consultórios, clínicas ou hospitais, prevê normas de

segurança a serem adotadas desde o projeto executivo de construção até o funcionamento diário do estabelecimento.

O combate à contaminação em EAS tem rendido um dos debates mais acalorados pelos poderes públicos e pela iniciativa privada do segmento da Saúde. Dentre os temas abordados estão as da Arquitetura Hospitalar e da Engenharia Clínica e suas contribuições para a Biossegurança.

Com quase 30 anos na área da Arquitetura, Astério Guglielmone Santos é especialista em Arquitetura Hospitalar e Engenharia Clínica e, hoje, uma das mais importantes referências nacionais para soluções humanizadas na construção civil e para projetos de EAS. É sobre isso que ele fala ao Jornal do Site Odonto. Confira abaixo.

JORNAL DO SITE ODONTO - Qual é o seu trabalho?

ASTÉRIO GUGLIELMONE SANTOS - Dirijo uma empresa - a AS Arquitetura - com sedes em São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas e Porto Alegre que trabalha com soluções humanizadas na construção civil nas mais diversas áreas de atuação, incluindo projetos e construções de EAS. Já dispomos de mais de 50 projetos e obras de edificações da área de saúde em várias cidades do Brasil, totalizando cerca de 50 mil metros quadrados de área construída em território nacional, e com convites para projetar no Chile e Estados Unidos. Trabalhamos com uma equipe multidisciplinar que inclui arquitetos, médicos especialistas infectologistas, bacteriologistas, alguns que atuam inclusive como analisadores da legislação da área junto ao Ministério da Saúde.

JSO – Quais os perigos dos vírus e bactérias nos consultórios?

AGS – Os vírus da Aids, hepatite, herpes e tuberculose são alguns que, eventualmente, podem ser encontrados em clínicas e consultórios, e que podem provocar surtos e doenças em pacientes e profissionais de saúde que trabalham nesses ambientes. O vírus do herpes simples, por exemplo, sobrevive sobre plásticos e prontuários clínicos por até 3 horas, em instrumentais por 45 minutos e em fezes por até 72 horas. O vírus da hepatite B pode ser encontrado em bancadas e mobiliários por até 6 meses. O bacilo da tuberculose circula no ar ambiente até por períodos de 150 a 180 dias. Mas, sem dúvida, posso afirmar que um projeto arquitetônico apropriado, que siga todas as modernas regras da biossegurança, da arquitetura hospitalar e da engenharia clínica, já pode reduzir em mais de 70% as chances de infecções em consultórios, clínicas e hospitais.

JSO – Como se dão os erros cometidos na construção de consultórios?

AGS – Muitos médicos, cirurgiões-dentistas, oftalmologistas e esteticistas, entre outros profissionais que instalam EAS, herdam seus consultórios e clínicas de seus pais ou sócios, ou dividem inapropriadamente com colegas, ou ainda, se instalam em salas sem procurar um projetista especializado, não observando que adotam moldes antigos e ultrapassados de construção e uso desses espaços. Por outro lado, corretores de imóveis e incorporadoras estão mais preocupados em vender ou alugar salas. Não buscando o assessoramento especializado, as clínicas e consultórios construídos apresentam erros de projeto que podem provocar maior permanência de vírus no ambiente e maior proliferação de fungos, bactérias e pragas.

JSO – Poderia dar algum exemplo de erro no projeto?

AGS – As estatísticas já comprovam que nos ambientes cirúrgicos a contaminação ambiental decorre 60% das pessoas que circulam no local, 20%, do ar e outros 20%, dos materiais utilizados. Portanto, a divisão dos espaços para a circulação das pessoas, o uso e a tecnologia que é adotada em cada um desses ambientes são os erros mais comuns e graves que encontramos em muitas clínicas e consultórios. Temos um exemplo muito comum que é o ambiente da esterilização de instrumentos. As normas determinam que a clínica ou consultório deve dispor de um ambiente de pré-lavagem de instrumentos cirúrgicos e outro ambiente para a esterilização desses mesmos instrumentos, até eles chegarem à sala onde acontece a cirurgia. Cada um desses ambientes deve ter ar-condicionado e exaustor próprios, assim como um funcionário manipulador para cada um desses locais, situações que não acontecem com freqüência. É comum assistirmos a um só auxiliar fazer todas essas funções em um só ambiente, que muitas vezes é também o mesmo ambiente onde acontece a cirurgia ou o procedimento invasivo no paciente. Este quadro pode elevar a possibilidade de contaminação em até 100%. Existem muitos outros, mas não teríamos espaço para tratar aqui.

JSO – Quem precisar de alguma orientação como pode fazer?

AGS – Minha equipe pode ser contatada em São Paulo, pelo fone (+11) 3284.4728 e (+11) 8142.5203. E-mail: arq@dentmail.com.br

 


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