Ano VIII nº 114  -

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Porcelana de ossos nacional
pode ter uso odontológico

A porcelana feita a partir de ossos, originariamente produzida na Inglaterra, tem maior alvura, leveza, resistência e valor que a comum. Esse material, que pode ser usado na confecção de próteses odontológicas, foi pela primeira vez desenvolvida com matérias-primas totalmente brasileiras pelo físico Ricardo Yoshimitsu Miyahara, em estudo de doutorado realizado no Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais da Escola Politécnica (Poli) da USP.

Miyahara utilizou cinzas de ossos bovinos, caulim (tipo de argila) e feldspato (rocha dotada de propriedade fundente) e produziu uma porcelana com propriedades superiores às do material inglês, que emprega a “cornish stone”, uma matéria-prima específica daquele país.

A porcelana de ossos, além de ter maior valor agregado e de ser a única cerâmica feita com alguma matéria-prima renovável, tem potencial para ser usada na produção de próteses odontológicas mais resistentes e de melhor resultado estético.

A formulação do material desenvolvido na Poli tem 50% de cinzas de ossos, 20% de caulim e 30% de feldspato, que, associada ao tempo de moagem de 24 horas e à temperatura ideal de queima do material (1270 graus Celsius), resultou numa porcelana de ossos quase duas vezes mais resistente que a porcelana comum e tão branca quanto à inglesa.

Cinzas compatíveis

Conforme o pesquisador, as cinzas de ossos também poderiam ser utilizadas para produzir bioimplantes, substituindo materiais como a platina, que podem causar rejeição em alguns casos. Os ossos, depois de lavados e queimados, transformam-se em hidroxiapatita, um mineral dotado de propriedades de biocompatibilidade.

Apesar de existir na natureza, a hidroxiapatita contém uma série de contaminantes e somente sua forma sintética - de elevado custo - está livre deles. “A hidroxiapatita obtida no estudo é naturalmente livre de contaminantes e, talvez, possa ser usada como matéria-prima de maior biocompatibilidade para implantes", afirma Miyahara.

Além da Inglaterra, que produz a porcelana desde o século XVIII, apenas Estados Unidos e China fabricam essa cerâmica, cujo custo de importação é muito alto. “Como o Brasil é um dos maiores criadores de gado bovino do mundo e tem grande tradição na fabricação de produtos cerâmicos, temos, então, condições de fabricar essa porcelana em grande quantidade, podendo até tornar-nos um grande exportador desse material que possui um elevado valor agregado”, avalia o pesquisador.


Ed.1144_19/01/2007





 


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