Ano VII nº 115 -

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Como fazer um Relatório de Performance de Vendas

Plínio Tomaz


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Hoje quero lhe propor algo bem diferente do usual e que, provavelmente nunca ninguém lhe propôs antes: que tal aprender a fazer um Relatório de Performance de Vendas. Hein?!

Toda vez que você apresenta uma proposta de tratamento ao seu cliente, este o ouve e, eventualmente, discute e propõe ajustes e, ao final deste processo, concorda em iniciar o tal tratamento nas condições combinadas, você não fez nada além de vender (com ou sem negociação). Engraçado como muitos colegas ainda têm certa aversão a esta palavra. Não tenha, pois ela é essencial ao seu negócio e, consequentemente, ao seu sucesso! 

A idéia de se fazer um relatório de performance de vendas é simples. Você deverá se auto-avaliar para saber o que funciona e onde pode melhorar. Todos os dias ao final do expediente (ou na primeira hora do dia seguinte, se preferir), você irá avaliar o que fez de certo ou de errado em termos de venda para poder aprender com isso. Estará, assim, constantemente se auto-avaliando e percebendo as técnicas e argumentos que mais funcionam para você em cada tipo de caso, ou melhor, em cada diferente estilo de cliente com o qual se relaciona. Por conseqüência, sua capacidade de fechar novos contratos irá aumentando, e o aproveitamento dos orçamentos vai chegando mais perto de 100%.

Chamo de taxa de conversão de orçamento o percentual de aproveitamento dos orçamentos que são realizados na clínica. É a comparação de novos clientes efetivos com as possibilidades que teve de conquistá-los. Se, por exemplo, você faz 10 propostas de tratamento em um mês mas inicia apenas 4 novos tratamentos, então sua taxa de conversão de orçamento é de apenas 40%.

Os melhores profissionais trabalham como uma taxa em torno de 85%. Acima disso somente alguns profissionais que já atingiram níveis ótimos de excelência (em amplo aspecto) ou que oferecem serviços altamente diferenciados e únicos, quer seja pelo tipo de serviço e atendimento quer pela especialidade exercida, assim como pelo local ou equipamento disponível. Taxas muito baixas podem significar pelo menos 4 coisas:

a)  você está comunicando seus serviços de modo errado, isto é, para um público diferente do seu ideal (erro de estratégia de posicionamento);

b)  suas habilidades como vendedor ou negociador estão precisando ser aperfeiçoadas;

c)  os seus serviços, seu consultório ou você mesmo não estão sendo capazes de transmitir confiança, segurança e credibilidade suficientes;

d)  seus preços estão completamente incompatíveis, para baixo ou para cima, com as expectativas e possibilidades de seu público-alvo, ou melhor, sua proposta de valor não está sendo percebida como tal.

Qual é a sua atual taxa de conversão de orçamentos? É essencial apreender onde está errando e ter clareza onde está acertando para poder, assim, melhorar sua performance de venda.

Ao final de cada dia, traga de volta à memória seus momentos de venda e reflita:

  • Qual o perfil (sexo, idade, classe social, nível de instrução, etc.) de cada cliente com quem conversou (vendeu ou tentou vender) naquele dia?

  • Qual o papel do cliente: usuário, decisor ou pagador do serviço? Que perguntas fez para conhecer este perfil do cliente? Que perguntas deixou de fazer e que fizeram falta?

  • Quais as necessidades clínicas daquele cliente? E as emocionais? Quais seus desejos? Quais suas necessidades não declaradas? Como percebeu isso? Que sinais ele deu?

  • O serviço (tratamento) proposto estava realmente adequado ao perfil e demais características do cliente? Em que situação sim/ não? Em que a oferta de venda deveria ter sido mais apropriada?

  • Quais os benefícios reais que ofereceu? Eles realmente agregavam valor ao cliente? A que atributos corresponde cada benefício? A que necessidade ou desejo corresponde cada benefício?

  • Quais foram as objeções? Como respondeu a cada uma delas? Foi eficaz? O que deveria ter feito diferente?

  • O cliente fez alguma objeção específica com relação ao preço ou forma de pagamento? Como reagiu? O que argumentou? Qual o resultado desta negociação?

  • Usou material de apoio para mostrar a proposta de tratamento? De que modo isso ajudou? Como pode aproveitar melhor os recursos que tem?

  • O cliente fechou na hora? Por que não? Ficou de “pensar”? O que será feito agora?

  • Fez uma proposta clara para fechamento? Que técnica usou para fechar? Poderia ter usado outra? Qual? Por quê?

  • O que fez de errado ou que poderia ficar melhor nos próximos casos semelhantes?

  • O que fez de certo e que deve usar novamente, adotando como sua técnica?

Após fazer esta avaliação rotineiramente por cerca de 6 meses, certamente estará dominando bem mais suas próprias técnicas de venda. Enquanto isso, recomendo que busque conhecer algum curso de venda e/ou negociação voltado para profissionais de saúde, ou então leia alguma coisa sobre o assunto. Isso certamente irá ajudar.

Infelizmente profissionais de saúde têm dificuldade em tocar neste assunto e facilmente se esquecem de pensar empresarialmente. O consultório é uma empresa e, portanto, deveria ser absolutamente normal, comum e até desejável.

Boas vendas.

 

* Plínio Augusto Rehse Tomaz é cirurgião-dentista, consultor de marketing e diretor da Tomaz Marketing Solutions. Autor dos livros "Marketing para Dentistas", "Consultório-Empresa" e "Alcançando o Alvo!!!" (todos publicados pela Navegar Editora).
Página na Web:   http://www.tomazmkt.com.br
E-mail: plinio@tomazmkt.com.br

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